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27.5.09 - 5:29 PM
20.5.09 - 6:55 PM

6.5.08 - 7:54 PM
4.5.08 - 2:19 AM
sete dias. nove, dez, onze.
o relógio não pára, não pára. o sol nasce e se põe, e a sensação térmica oscila entre quente e fria.
as coisas estão as mesmas, mas insisto em acreditar que tudo será diferente agora. como sou hilária! mais uma, previsível, como todos os sobreviventes. com a fé, a maldita fé, a esperança que não me permite desistir.
eles, todos eles, usam aqueles enfeites. acessórios que precisam existir já que a própria existência não basta e, de repente, é até questionável. os anéis, as coisas com as marcas, o tênis encomendado porque um deus-eleito que já não toca sua arte há um tempo o usa.
usam em seus seres, também, uma roupa. estampa de arco-íris. bela, bela. poucos enxergam que são roupas.
já se está falando do real.
gostaria de saber quando conseguirei usá-las e incorporá-las em mim, como eles bem o fazem.
porque por agora eu observo, distingo a roupa do corpo, compartilho com os outros que também o fazem, sofro, saio, volto, visto uns modelos, saio, volto, tento agir.
e aí vou para o festival dos seres, que ainda existe.
lá as sensações não nos enganam, e vivemos delas, para elas. elas reinam, guiam, são por si mesmas.
sem palavras, sem a razão alcançada pelo planeta.
e lá
me sinto melhor.
por uma noite.
mas agora não parece o bastante.
não mais.
12.3.08 - 3:23 PM
25.2.08 - 3:15 AM
carregava o peso do universo e de toda a sua possível infinitude em suas costas, e o reflexo dos quilos levados por anos de existências, inúmeras formas de eus que acumulavam mais e mais cargas, transpareciam em seus olhos. opacos e brilhantes, dependendo das circunstâncias.
era aquele que percebia intensamente qualquer movimento, existência, na esperança de achar algo que estivesse além de sua lógica. já desprezava os quadros, as músicas, os versos mal acabados que tentava fazer para descarregar alguns gramas. nada era inesperado ou 'sobrenatural' o bastante. os livros então, eram abjetos. não precisava de nada, estava completo. o completo mais vazio que havia, tão convencido de sua completude que não conseguia nada de melhor. o universo era seu; o universo era ele.
letras, palavras, idéias, sistematicamente criadas para atenderem a seu mundo, seus eus, suas máculas, farpas doces que cultivava, plantas carnívoras que desejava regar para sempre tratá-lo bem e não se mostrarem vivas com a dor da ausência. a ausência, que é tão mais presente que a presença que sempre é temida. um sistema, enfim, autofágico, como idealmente espera-se que o seja. mais prático, isento de novas possibilidades. o limite meticulosamente criado é o limite.
tudo funcionando bem enquanto tiver para onde fugir.
só não parava de procurar, embora estivesse aparentemente completo.
17.2.08 - 4:09 AM
7.2.08 - 1:43 AM

5.1.08 - 4:46 AM
25.12.07 - 2:56 AM
14.12.07 - 2:23 PM
de um lado, a doença. do outro, o incômodo. (é?)
sempre tive certa repulsa a pessoas que são reflexos de imagens estereotipadas que criaram delas mesmas e fazem questão de as serem. aquela coisa de se identificar fortemente com algo e esse algo te engolir tanto que não se vê mais uma essência ali, apenas o tal algo, geralmente ao lado de vários representantes personificados do mesmo - o 'grupinho'. todos muito convictos de que aquilo é o que são, e devem ser porque é, aquela, a única forma de serem.
descobrir que não se é e não se sabe o quê se é, entregar-se ao mar das incertezas e catástrofes possíveis, encarar o silêncio de nós mesmos sem gírias, linguagem em comum tida como perfeita e auto-suficiente e enxergar o reflexo - que já virou o que se é -, isso sim é complicado. e, ainda, chegar ao ponto de entender umas vontades bizarras, gostos talvez impróprios em relação àquilo que se construiu para o reconhecimento - compensador da falta do próprio auto-reconhecimento -, gerando um comodismo bacana que agora não mais talvez se possa ter com sossego, isso sim é desafiador.
começa-se desde roupas, músicas, gestos, ações, saídas habituais, a pessoas, vontades, sentimentos, emoções, crenças. é aquela coisa de ao menos tentar se abrir, se posicionar, se entender, tentar se desapegar de coisas que se tem como suas, e grupos, e identificações excessivas, desastrosas, causadoras de estragos só vistos logo mais, e talvez por outros, porque se estará megulhado no reino-das-imagens o bastante para não o fazer.
e aí depois você pode chegar a uma identificação, sim, mas ao menos consciente, sabendo de suas intenções com tal escolha. é todo um discurso já dito por muitos - reinventando rodas por aqui, soando clichê por ali -, mas valorizo, de qualquer forma, o falar novamente, pois o já-erismo ou o não-falar-o-que-já-se-falou utilitarista não faz parte, ao meu ver, da construção de 'algo consistente'. temos que dar voltas, falar, refletir, consertar, falar de outras formas, buscar sinônimos, suas origens e todas essas explorações do campo, seja no centro como, e principalmente, na periferia e em seus limites possíveis.
enfim, sem delongas, e tentando afastar a repulsão mencionada, pois não se faz necessária no atual estágio.
11.12.07 - 6:45 PM
estranha aquela sensação de querer abraçar e fazer alguém feliz por nada, ou por vê-la com certas noções ruins, generalizadas, de situações. não que você também não as sinta, mas tudo é relevado e uma coisa última corre por você e te cotuca, à beira de uma explosão, para tomar alguma atitude ou fazer uma piada estúpida para causar possíveis bons momentos.
e aí você não tem coragem porque sente-se uma pessoa pequena e estúpida, e sabe que muito provalmente piore as situações, por ser considerada algo como um segundo plano total e completo, duvidoso, desastroso, desastre, indiferentemente desagradável, problemática, peculiar no mínimo, desastre.
então eu fico aqui, tentando não me importar, muito me importando, pois não sei lidar com os meus bloqueios - e, claro, os do outro -, e prefiro deixar isso para alguém confiável, amigo e agradável?
é, algo como isso, sem não saber mais o que é esse sentimento.
e sabendo que não funciona e provavelmente nunca existirá.
21.11.07 - 12:27 AM
que coisa, essa coisa.
coisa latente, coisa marrom, verde-musgo, preta, branca? sabe-se lá, já não sei mais a cor.
haverá luz, lenço que a tapa, energia, interruptor... ? haverá lâmpada? haverá a impressão da lâmpada, o querer se crer na luz? a luz existe, não existe, ou existe por se querer existir? ou por estar nessa imagem que se concebeu?
o que eu vejo em mim, o que ele vê em mim, o que eles vêem em mim? o que seria se não houvesse a impressão do ver? a luz, a vontade da luz, a idealização da luz. a pureza da luz? a luz-pura, a luz-toda, a luz. a luz? o preto, o código, a vontade? o sofrimento, o amor? a felicidade, a dor?
sei eu lá sobre a luz.
sei que há gente vendo luzes no momento,
enquanto escrevo sobre, a luz.
ela que, se apenas naquele momento poderia estar, se foi.
18.11.07 - 4:02 PM
17.11.07 - 3:50 AM
16.11.07 - 1:18 AM
não posso encontrar sorvete de frutas naturais em açougue, não posso encontrar sorvete de frutas naturais em açougue.
mas há o gelo em comum, há o gelo em comum, há o gelo em comum.
o gelo não é suficiente, o gelo não é suficiente. eles continuarão cortando carnes, esmagando carnes frescas no escuro, com a idéia de que são geléias de brinquedo. mortes ali, vidas ali, mortes e vidas, e nós, cegos, na vida e morte em vida, ou em morte. e os gritos ali, aqueles, que poucos conseguem escutar, mas ainda, todos os gritos ali, de todo o período da vida, e a eternidade da morte e vida. e a vida gritando, querendo o colo da morte, acreditando não fazer parte de sua identidade. querendo estar à parte, querendo ser independente. a vida, aquela onipresente crise de identidade. e os gritos ecoam naquele recinto, neste recinto. aqui, no meu recinto e no recinto dos que querem encontrar sorvete de frutas naturais. presos no açougue, presos no açougue, tentando fazer algo a respeito, comendo gelo com um leve sabor de sangue para sobreviver.
o gelo é a única alternativa, então vamos, comamos mais gelos! tudo aquilo era um sonho, a sorveteria é um sonho, uma ilusão de momentos, de períodos, de nós mesmos.
e no fim, todos acreditaremos estar à parte, como a vida.
e já não sei mais como isso acaba.
14.11.07 - 2:19 AM
4.11.07 - 2:15 PM
Ando em busca dos efêmeros. Encontro-os por todos os lados: passantes, calmos ou afoitos, vendo-se ou vendo-me. Os efêmeros são os vivos, os que podemos ver, e os fantasmas que vemos mesmo que não existam, e os que existem e não podemos ver.
Qual a cegueira que nos toca que nos impede a mira? O que eu veria se destapasse os olhos? Veria os efêmeros, os que se escondem atrás de suas próprias nucas, e a sua frente, perdidos de si mesmos, em busca de si mesmos por meio de outros. E os outros? Outros, os desistentes e os insistentes, os efêmeros com seus sapatos, saias, bolsas, máquinas de fotografar sombras, lêem livros, fazem teatro, assistem, esperam, comem, andam, olham, chegam, vêm e vão.
Os efêmeros estão por todos os lados, simples, complexos, apressados; com seus trejeitos, sorrisos, fome, seus objetos de espera, de sedução, repetem a vida, repetem a morte em vida, repetem a vida em vida, repetem a armadura que sustenta toda a vertigem. Os efêmeros formam atalhos, desvios, andam, andam, seguem leningue sempre prontos ao abismo lento ao qual demos o nome de Esperança.
Os efêmeros são feitos de sinais, filigranas, fascínio, atenção, esperas, pés no chão, amor, prazer, conversa. Os efêmeros são antípodas. Os efêmeros são a nossa imitação. Os efêmeros, os efêmeros. Os efêmeros nos perguntam e não respondem. Os efêmeros só esperam que os ajudemos a atravessar a grande vertigem sempre à espera do grande contentamento invisível. Desnudemos os olhos, queremos nossos olhos nus para que os efêmeros passem em seu cortejo triunfal em paz. Os efêmeros. Os efêmeros. Os efêmeros.
Os efêmeros somos nós.
31.10.07 - 5:57 PM
estranho e ansioso. cinza, verde-musgo, marrom. fumaças, tóxicos, escuridão. digito uma palavra em um site de busca e imediatamente aparecem todos os temas possíveis relacionados a ela. tudo em minhas mãos, ou meus olhos, sem esforço algum. conheço e busco informações de quem eu quiser, desde um artista asiático alternativo a alguém que vi em uma festa de pessoas que não conheço. sem acaso algum, naturalidade alguma. natural, natural sim, mas um novo natural que aí nos parece ser.
já não sinto a conexão das coisas, das pessoas, das idéias. o que é sincero não se pode mais notar, e se for, em segundos se desfragmenta, desmancha. a ansiedade consumindo a todos, a vontade do que aqui está e do consumir e fazer parte de todo o universo. moléculas de água compondo um mar, querendo estar em toda a parte de toda a gigantesca parte, descontentes com o não-estar em contato com todas as outras. ansiedade consumindo a todos, de novo. e agora voltei a fazer parte, do querer fazer e ser parte, de toda a parte, a toda parte, em cada parte.
contemos até três e se nada de útil ocorrer, favor ir para a próxima seção, imediatamente. o tempo passa, o tempo é papel, dinheiro, objeto, os corpos de pessoas, idéias para sustentar seu ego e problemas.
nós, os pobres sobreviventes. a escória dos que antes eram mais naturais, interessantes e ingênuos, os quais nós mesmos decretamos a extinção, não exatamente por acaso.
concreto, prédios, sufoco. grades, janelas, vasos, remédios: tudo para separar o que consideramos natureza de nós mesmos, os independentes e superiores. quanto nojo de sermos apenas mais outros animais, não vamos admitir tamanha ignorante redução! mas o sexo, o sexo... o que é o sexo, essa atividade que nos guia e rege de forma primeira e doentia?
de volta à busca dos prazeres imediatos, da falta de construções honestas em prol de apenas uma simulação barata para os tais deleites. do consumo de tudo e todos, do materialismo bonito, eficiente e auto-suficiente, que poucos têm como assustador.
ilusório ou não, do lado de lá podíamos, nas nuvens, cantar a canção dos mortos, alegres - bem como eles mesmos -, e comer maçã direto da árvore, no campo, enquanto conversávamos sobre o próximo passo.
e pensar que há meses escolhi tal volta...
30.10.07 - 10:11 PM
o problema é que ela achava que era um organismo à parte do mundo.
ninguém era como ela, ninguém sentia como ela. ser humano algum entendia o que era viver com aquele fardo da existência verdadeira, e ela constatava tal pensamento a cada palavra que trocava, a cada festa que ia na tentativa de fazer parte deles, a cada beijo e sexo que consumia, e que acreditava ser o ápice do sentir a existência do outro. o resto era a superficialidade, a boa interpretação no espetáculo em que se vivia, a falta de crítica e noção de qualquer coisa maior do que já estava diante de seus olhos. o espetáculo como o máximo, o belo, o real, a maior expressão da capacidade.
ficava calada, já não falava mais. aceitava, andava, ia com o vento, com o mar, a corrente, a massa.
o amor havia há algum tempo se tornado algo possível apenas em outro universo - que para ela existia -, em que os seres eram mais presentes, entregues à existência e aos mil enigmas de si mesmos e dos outros. aqueles que pensam o que é, como deveria ser, o que fazer pra mudar, como se conformar por algo estar de fato corformável, como fazer seu ser ser, como trocar e destrocar e sentir-se pleno - e aquilo era belo, agradável, honesto e preenchia todas as lacunas que podiam ser preenchidas, pois era o máximo que se podia dar de si mesmo.
um sonho de quem não necessariamente praticava tudo aquilo, mas acreditava fazê-lo, pois suas teorias eram, e só elas eram, de verdade, absolutamente. e insistia nessa busca incessante de si, do si. daquilo que pulsava e impulsionava a vida de todos, a existência de cada objeto, a harmonia desarmoniosa de cada parte do universo, do outro. e como amava e odiava o outro! os calos do outro, os desamores do outro, a insegurança, desaforos, imprecisões, instabilidades, fugas, paixões, vícios... do outro.
aquele outro que não existia, mas era como um enigma e afirmação da existência de si mesma.